Reflexões de fim de ano

2
Postado dia 30 de dezembro de 2012 em Conversas paralelas

1. Quando a tranquilidade se manifesta no ônibus, penso que cada passageiro segue aquela viagem pensando no grande amor de sua vida.

2. Ônibus que não param para a gente são como romances cortados no início.

3. Que os meus olhos jamais se acostumem com a miséria que existe lá fora e que eu possa transformar a vida de pelo menos uma pessoa por dia.

4. O barulho do motor do ônibus abafa meus pensamentos mais tristes, enquanto a janela me enche de vontade de poder fotografar com os olhos.

5. Ônibus é como coração de mãe: sempre cabe mais um.

Acusações polêmicas

4
Postado dia 20 de dezembro de 2012 em Conversas paralelas

Minha experiência como passageira de ônibus me mostrou que os diálogos mais inusitados vêm de mulheres. Numa sexta-feira dessas, duas amigas que viajavam sentadas conversavam sobre homens, ao mesmo tempo em que acompanhavam pelo celular as atualizações no Facebook do ex-namorado de uma delas.

Olha só, olha só. Ontem ele alterou as informações profissionais dele. Por que será que mudou de emprego?

A outra apontou sorrindo:

Sei não, amiga. Mas vou te dizer uma coisa. Ele era gente boa, legal, trabalhador, mas se tem uma coisa que seu ex não tinha era beleza.

A primeira defendeu:

Afff. O seu namorado é que é feio demais, tem dó.

Eu estava em pé ao lado das duas morenas enquanto ouvia a conversa. Reparei o seguinte: Uma delas falava bastante alto, e dela vinha um forte cheiro de bebida. Talvez tenham ido a um bar depois de uma sexta-feira cansativa, imaginei.

Prosseguiram:

Mas o maior problema dele, amiga, era que ele era muito na dele. Eu até conversei com outras que namoraram ele antes de mim e elas disseram a mesma coisa.

Ah, é? O que elas falaram?

Ah, aquilo, né… O lance dele é só beijinho na boca, não faz nada de especial.

Daí em diante pularam para outros assuntos. Falaram, por exemplo, sobre o fato de a mãe de uma delas não gostar da outra, o que foi justificado da seguinte forma: “Ai, amiga. Minha mãe é assim mesmo. Mas também… foi traída três vezes, é mal amada demais. Ela não tem culpa de ser assim”.

A medida que conversavam, a que estava mais sóbria controlava a outra com alguns “xius”, já que ela praticamente gritava. Pelo modo que pulavam de um assunto para outro, costuravam a conversa aqui e ali e retomavam o diálogo sem que nenhuma perdesse o fio da meada, deduzi que realmente eram bastante amigas, o que foi confirmado pelo derradeiro diálogo:

Caraca, amiga, você vai me desculpar, mas você peidou feio agora.

Como é que é? Tá ficando louca? Eu fiz nada não.

E abriu a janela.

Inevitavelmente, senti o cheiro horrível que veio até o meu nariz e entendi um dos motivos de ela estar sem namorado.