O maníaco da Viação Anapolina

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Postado dia 13 de novembro de 2012 em Você é o passageiro

Quem conta a história desta vez: Lurian Leles

Com 22 anos de idade, Lurian é jornalista e blogueira nas horas vagas. Ela também é libriana, apaixonada por moda e afirma ser  dramática por natureza. Blog: www.biquinidebolinha.com

“Essa história aconteceu há algum tempo, na época em que eu ainda perdia horas transitando entre Luziânia e Brasília pela BR-040… Minha vida sempre esteve meio lá e meio cá (GO e DF), pois, como muitas pessoas do Entorno, morava além da fronteira do DF, mas estudava e trabalhava aqui em Brasília.

Nos dias comuns, pegava apenas um ônibus de Luziânia para cá, ia para o estágio e, de lá, seguia para o UniCeub, onde cursava jornalismo. Voltava para casa em uma espécie de rodízio de carros – um esquema armado com mais quatro amigos que também moravam em Luziânia -, no qual cada um vinha dirigindo um dia na semana (no meu caso, como já estava em Brasília, pagava um colega para cobrir o dia em que eu deveria vir dirigindo).

A história que vou contar surgiu em uma época específica: minhas férias da faculdade. Como não tinha aula à noite, eu estava vindo à Brasília somente para o estágio e, às 18h, lá ia eu pegar o ônibus da Viação Anapolina novamente.

Em um desses dias, estava tranquilamente sentada do lado do cobrador quando surgiu algum assunto que agora não me recordo. Conversávamos eu, o cobrador, uma menina que estava sentada ao meu lado e um outro rapaz que estava em pé perto de nós. Até aí tudo bem, é comum a gente puxar papo nessas viagens para ajudar a passar o tempo, certo? Se eu soubesse ali onde estava me metendo, teria ficado de boca fechada! Rsrs.

A partir daquele dia, o tal rapaz que estava em pé ao nosso lado (o tal maníaco da Viação Anapolina) passou a se sentir, digamos, íntimo da minha pessoa. Todos os dias ele estava lá, no mesmo ônibus que eu pegava. No início, ele só me cumprimentava. Normal. Com o tempo, o cumprimento não bastava. Volta e meia ele puxava algum assunto. Normal também.

Até que aquilo começou a me incomodar. Notava que ele estava sempre me encarando com um olhar meio assustador (os olhos dele eram enoooooormes!). Comecei a evitá-lo.

Mesmo ignorando-o e deixando claro que ele estava me incomodando, o tal rapaz não se tocava! Começava a me encarar logo na fila que se formava na rodoviária, à espera do ônibus. A impressão que eu tinha era que ele estava lá sempre me esperando!

Dentro do ônibus, a situação só piorava. Ele passava toda a viagem – que pode durar de uma hora e meia a duas, três horas, dependendo do trânsito -, de olho em mim!!! Comecei a me sentar o mais longe possível dele e até a me esconder atrás dos bancos.

O cúmulo dessa situação aconteceu em uma sexta-feira. Havia chovido muito naquele dia, ou seja, engarrafamento certo. Encontrei uma colega da época de escola que também estava indo para Luziânia e nos sentamos juntas no local que havia sobrado no ônibus lotado, perto do cobrador. Como o corredor estava cheio, só pude perceber mais tarde, quando o ônibus começou a esvaziar e as pessoas que estavam em pé se sentaram, que o tal perseguidor estava sentado ao nosso lado, na fileira oposta.

Entrei em pânico! Quando o cara me viu, iniciou logo a tortura, me encarando com aqueles olhos gigantes e assustadores. Rapidamente comecei a elaborar um plano para me ver livre daquele olhar insistente. Vasculhei o ônibus todo à procura de um assento o mais longe possível daquele cara e encontrei um vazio atrás da escada da saída dos fundos. Melhor ainda, na frente do tal banco tinha uma espécie de divisória de vidro, com um cartaz colado nela. Serviria de esconderijo, ufa!

Chamei a minha colega de escola para sentar lá atrás com o argumento “te explico depois”. A coitada não entendeu nada, mas me acompanhou. Quando estava lá sentada no local que julgava seguro, contei para ela toda a história.

Não se passaram nem cinco minutos até que o cara começasse a me procurar dentro do ônibus. Quando me achou, ele teve a capacidade de se virar todo para trás, de forma que mesmo lá da frente ele continuava me observando. Ele permaneceu assim até o fim do trajeto, quando eu, em pânico, desci na minha parada, sempre olhando para trás para ver se ele não havia resolvido continuar a perseguição fora do ônibus.

Depois daquilo, decidi não pegar mais o mesmo ônibus. Chegava mais tarde em casa, mas pelo menos voltava tranquila. Dei graças a Deus quando as aulas voltaram e eu não corria mais o risco de encontrar com o cara.

Você pode me perguntar por que eu não o enfrentei e a resposta é: Medo. O ponto dele devia ser depois do meu, de modo que ele via onde eu descia, perto da minha casa, sem contar que eu fazia uma cara TÃO feia para ele, que não é possível que ele não se tocava que estava me incomodando…

Hoje moro em Brasília, mas confesso que ainda sinto um certo medo de encontrá-lo quando preciso pegar ônibus para visitar a minha mãe em Luziânia.”

Quer mandar a sua? Escreva para o e-mail: gentepassageira@gmail.com

Manual da boa convivência dentro do ônibus

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Postado dia 06 de novembro de 2012 em Você é o passageiro

De tanto observar o que acontece comigo e com outras pessoas dentro do coletivo, outro dia, enquanto descansava a cabeça na janela, comecei a listar coisas boas e ruins que acontecem durante a viagem. Foi quando criei uma espécie de manual da boa convivência com outros passageiros. Se você não faz uma dessas coisas, experimente agir diferente e veja o resultado.

Pois então:

1. Você deu sorte de encontrar lugar vago no coletivo e está sentadinho? Se um passageiro perto de você está em pé (coitado, ele pagou o mesmo preço da passagem que você!), ofereça-se pelo menos para segurar suas coisas durante a viagem. Isso certamente aliviará o trajeto da pessoa e, acredite, um dia você poderá ser a vítima.

2. Dê “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite” ao entrar no ônibus – para o motorista, para o cobrador, para a pessoa que vier a sentar do seu lado ou para quem cruzar o olhar com o seu. Por que? Simplesmente porque não custa nada, é gentil e pode alegrar o dia de uma pessoa desconhecida que passa por um momento difícil.

3. A não ser que seja inevitável, tente não liberar odores desagradáveis (vulgo peidinho) dentro do ônibus. Sobretudo se você sentir (a gente sempre sabe) que vai feder. Afinal, ninguém merece cheirar o malfeito dos outros. É rude, cruel e torna a viagem do outro ainda mais traumática.

4. Preste atenção nos lugares destinados a gestantes, idosos e pessoas com deficiência. Não sente nessas poltronas fingindo que está dormindo ou que a música que vem do fone de ouvido te levou para paraísos sem fim. Respeite a norma e se dê ao trabalho de chamar a atenção de algum passageiro que esteja ignorando isso.

5. Quando uma pessoa entrar no ônibus para vender algo ou para pedir dinheiro, por mais que você não queira contribuir financeiramente, ao menos olhe a pessoa nos olhos e dê-lhe atenção que todo ser humano merece. Pode ser que ela não ganhe sequer uma moedinha naquela viagem, mas seu olhar generoso pode ser o incentivo que ela precisa para seguir em frente.

6. Não jogue melecas de nariz, chicletes e qualquer tipo de lixo no chão ou em lugares aderentes do ônibus. É feio e piora o estado de conservação do coletivo, que já não é lá essas coisas.

7. Tente ser justo e, na medida do possível, lute pelos outros passageiros como se eles fossem pessoas da sua família. Logo, se o motorista passar da parada de fulano ou se alguém se machucar ao descer do transporte, por exemplo, chame atenção para o problema e tente ajudar a pessoa. Afinal, você poderia estar no lugar dela.

8. Resolveu tirar uma soneca durante a viagem? Então cuidado para não repousar a cabeça no ombro do passageiro que está ao lado ou até mesmo babar em sua camisa. Ninguém merece servir de colchão ou travesseiro para outra pessoa.

9. A viagem está chata e você resolveu ouvir uma musiquinha? Não dispense o fone de ouvido. E, se alguém colocar música em alto e bom som para todos do ônibus ouvirem, fale educadamente para a pessoa que isso é extremamente deselegante.

10. Em dias de chuva, não seja egoísta. Se você estiver sentado, por mais que pingue um pouquinho de água em você, abra parte da janela para que os passageiros que estão em pé possam respirar. Da mesma forma, se você estiver em pé, entenda que quem está sentado não pode abrir a janela completamente para que você balance os cabelos como numa propaganda de xampu. Nesse tipo de situação, o meio termo é bom para todo mundo.