Resultado da enquete e a pergunta da vez

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Postado dia 01 de novembro de 2012 em Você é o passageiro

A primeira enquete do blog perguntou aos leitores: Qual foi o máximo de vezes que você pegou ônibus em só um dia?  O resultado mostra que 44% dos leitores pegaram mais de quatro nesse período e, depois disso, nunca mais foram os mesmos. Mas também… considerando que andar de ônibus é uma aventura, o entra e sai do coletivo deixa qualquer passageiro meio louco.

Em segundo lugar, com 24% dos votos, está o grupo daqueles que sofrem em pegar coletivo, mas nem tanto, ou seja, pegam ônibus duas vezes por dia e está bom demais.

20% dos votos representam os passageiros que pegaram tantos, mas tantos ônibus num só dia que perderam as contas. São aquelas pessoas que passam mais tempo dentro do coletivo do que com a família e amigos, e conhecem praticamente todos os motoristas, cobradores e passageiros de todas as linhas. Imagina ter de fazer tantas viagens assim e ainda em pé?

Por último, com 12% dos votos, estão os internautas que cantam o famoso hit da senhora Huck, “Vou de táxi, cê sabe”, e que pegam ônibus uma vez na vida e outra na falta de sorte.

Dessa vez, o Gente Passageira quer saber o seguinte:

Qual foi o produto mais irreverente que você já comprou numa viagem de ônibus? Participe da enquete ao lado!

Os anjos, o inferno e a cadeira alta

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Postado dia 30 de outubro de 2012 em Você é o passageiro
Quem conta a história desta vez: Jacqueline Saraiva 
 
Jacqueline é uma jornalista de 28 anos, libriana, aventureira e apaixonada pela natureza. Segundo ela, antes de superar o medo de dirigir, aproveita para curtir a vida a pé e é passageira frequente nos ônibus de Brasília. Twitter: @jacquesaraiva 
 
“Você entra no ônibus correndo, volta à infância, e senta no lugar mais perfeito do ônibus: a cadeira alta. Por muitas vezes tive esse pensamento tolo ao encontrar o coletivo vazio. Entrava meio desanimada, achando que ia ter que dividir a cadeira com algum homem folgado (que deita e abre as pernas) ou alguma mulher avantajada ou com muitas sacolas ou com aquela cambada de meninos barulhentos. Ao passar a roleta, um mundo novo se abria e anjos luzentes rodeavam o santuário tocando pequenas harpas douradas… A CADEIRA ALTA!!! Ahhhh, nada me impediria de aproveitar os longos minutos de viagem naquele lugar privilegiado, mais alto que os demais, com o vento no rosto, como se estivesse em uma montanha-russa…

Só que o sonho virou pesadelo… Descobri, infelizmente, as mazelas de sentar na cadeira alta. E a revelação veio às 5h30 quando a medonha entrou no ônibus. Chegou cambaleando, a cara amassada, cabelo desgrenhado e jeito de quem acordou atrasada, vestiu uma roupa e saiu correndo atrás do busão. Não bastasse o desengonço para atravessar o coletivo, incomodando os demais passageiros, ela reconhece a “colega” de trabalho… ao meu lado… pensei: “Senhor, porque me abandonaste?”. A luz se apagou, os anjos luzentes recolheram suas harpas e se mandaram.

Já na primeira frase, minha vontade foi de enfiar a cara em um buraco, de preferência com um frasco de Gleid… Aquela boca não via uma escova de dente há séculos, indaguei-me. Pensei na notícia veiculada em jornais na semana passada: “Há 27 milhões de brasileiros que nunca foram a um dentista… E essa mulher é a primeira da lista”… Cada palavra dela soava como uma trombeta do apocalipse, anunciando o fim do mundo… E, sério, pedi pelo fim do mundo. Pedi para que pelo menos um buraco se abrisse ao meu lado e ela fosse sugada… Na cadeira alta do ônibus, a boca dela era um esgoto rente ao meu pobre e indefeso nariz. Naquele momento eu odiei a cadeira alta. De refúgio divertido, a cadeira alta se tornou minha inimiga.

Depois de uma conversa de 15 minutos, ela diz que vai descer. Dei saltinhos de alegria em meu pensamento… a tortura teria fim, os anjos talvez voltassem e eu, quem sabe, sobreviveria… Quando ela deu sinal, me senti como um réu absolvido do mensalão… tô livre…. ela se foi, essa foi por pouco… O dia recomeçou para mim. Pude trabalhar, mas com o estômago revirado. Na volta para casa, a cadeira alta estava lá, vazia. Mas preferi escolher outro assento. A cadeira alta agora era só um lugar solitário, como tantos outros no ônibus, onde nem anjos nem montanhas-russas conseguem me animar.”

Quer mandar a sua? Escreva para o e-mail: gentepassageira@gmail.com