Quem conta

Sarita González Fernandes

Sarita González Fernandes

Brasiliense vivendo fora dos eixos. Vinte e sete verões escaldantes. Jornalista apaixonada. Pesquisadora entusiasmada. Mestranda na UnB. Noiva do Klaus Schwietzer. Caçula da família González Fernandes. Observadora atenta. Viciada em ônibus. Cozinhas me atraem. Cachorros me energizam. Obcecada por histórias de gente passageira. Escrevente. Amante do tempo presente. Vermelho sangue. Cabelos loucos. Brasileira e espanhola. Cotovelos falantes. Sons latinos me movem. Comovo-me. Coisas são nada. Memorizo. Translúcida e opaca. Unhas roídas. Imito sotaques. Fios brancos me dominam. Alho é vida. Penso, logo anoto. Não perco a piada. Sara é apelido. Como lentamente. Não vou a enterros. Língua feroz. Sou esteio. Religião, não. Desespero-me. Meus sonhos são os de quem nem conheço. Capricórnio e leão. Crio laços, mas desfaço. Não idolatro. Transitei em livros. Só passo no débito. Sou do clube tantas vezes campeão. Cantarolo. Não como feijão. Tomo a frente. Dou gargalhada. Tristeza me cala. Adapto-me. Perco coisas e encontro minha essência. Caprichosa. Coço os olhos. Amparo. Movimento-me. A vida já me puxou. Improviso. E nada disso me define. Ainda bem.