O peito do pé do Pedro está preto! E o meu também…

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Postado dia 15 de janeiro de 2013 em Você é o passageiro

…mas por que mesmo?

Quem conta a história desta vez: Hara Alcântara

“Minha vida é andar (de ônibus) por esse país”, cantarola Hara Alcântara, 21 anos, ao se descrever para sua história de ônibus. A jornalista é moradora da “bucólica” cidade de Luziânia e, segundo ela, busóloga por motivos de força maior. “Podia ter feitos muitas coisas da vida, mas decidi que queria ser jornalista. Nem a Viação Anapolina me fez mudar de ideia”, conta.

“E depois de um dia cansativo, chega o tão aguardado momento do banho…e, o meu peito do pé tá preto, mas por que mesmo?!

(Balão de flashback no ar…)

São 11h30 da manhã, preciso chegar ao estágio na Esplanada ao meio-dia. Atravesso a passarela que separa a Facitec da parada de ônibus do outro lado do Pistão Sul, em Taguatinga. Ando calmamente olhando a paisagem, estou exatamente no meio da pista e, “ai, meu Deus, o ônibus! CORREEEE!!!!!!”

♪tan, tan, tan tan tan tan, tan tan, tan tan tan♪

Musiquinha da São Silvestre de fundo e lá vou eu em direção ao ônibus coletivo parado logo ali. A fila está tão grande que sinto que vai dar tempo de chegar e embarcar. O outro deve chegar em dez minutos, mas já estou mais do que atrasada.

Corre, corre, corre, parada lotada em horário de pico. Estou quase lá, faltam exatos três passos para alcançar o ônibus e, [quase que em câmera lenta] eu dou mais um passo e sinto algo diferente vindo do chão. Meu pé direito está estranho, parece que está mais quente que o normal, eu olho…OMG (oh my god) isso é ASFALTO!!!!

Meu pé foi, mas o sapato ficou a dois passos atrás. O ônibus arranca, a fila já tá acabando. Pensa rápido: o sapato ou o ônibus, “ai, meu Deus, não dá para trabalhar descalço!”. Pega o SAPAAATOOO!

Volto disfarçadamente, seguro o sapato com a mão, viro a cara para o outro lado, [corre perigo de alguém me reconhecer no outro dia], vou correndo-mancando, mancando-correndo, [agora sei como os piratas se sentem]. A fila acabou, só três passos, o ônibus arranca novamente, faço sinal com o sapato na mão, a porta se abre. Entrei, que alívio!

Estou eu, encostada na porta, suada, cabelo despenteado, um sapato no pé, outro na mão, um livro na mão, um pé descalço, bolsa a tira colo, com casaco pendurado. Sinto o cheiro da marmita subindo [agora sei como fazer um bom fast food, ou seria fast foot?!], o motorista me olha com desdém, mas calço meu sapato, humildemente, e passo a roleta na santa paz do Senhor e torcendo para que ninguém me reconheça no dia seguinte.

… Algumas horas depois… Hum, agora lembrei por que o peito do pé está preto!

Quer mandar a sua história de ônibus? Escreva para gentepassageira@gmail.com