Letras ao vento

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Postado dia 18 de julho de 2013 em Eu na história

Pouco mais de uma dezena de passageiros viajam no ônibus, meia dúzia tentando ler alguma coisa. Não é fácil encarar o bete-balança-meu-amor: estômago fraco, impaciência e labirintite não são permitidos.

Em meio ao silêncio, a não ser pelo velho motor do ônibus, a cobradora lê atentamente a bíblia encapada em vermelho. O homem com óculos de meia-idade e testa franzida lê a parte de esportes de um jornal popular. A jovem de cabelo preso lê mensagens no celular ao deslizar o polegar direito. O rapaz de uniforme ao meu lado lê exercícios de um livro em francês apoiado sobre a mochila.

Meu estômago é meio fraco. Do meu lugar, prefiro tentar ler todas essas mentes.